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Unesp de Araraquara é referência
internacional em pesquisa com fibras ópticas

Laboratório de Materias Fotônicos do
Instituto de Química desenvolve aplicações para
telecomunicações, biomedicina e sensoriamento remoto


O Laboratório de Materiais Fotônicos do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp) é o mais aparelhado centro acadêmico do País de pesquisa e desenvolvimento de fibras óticas. Instalado no câmpus de Araraquara, é o único da América Latina que dispõe de duas torres de puxamento de fibras óticas, dispositivo tecnológico utilizado nas áreas de telecomunicações, sensoriamento remoto de estruturas de concreto e biomedicina.

A pesquisa é centralizada nos materiais fotônicos, cujas propriedades físico-químicas, térmicas, elétricas e mecânicas permitem a transmissão de dados na velocidade da luz, de 300 mil metros por segundos. As malhas com redes de fibras óticas têm aplicações distintas em rodovias, ferrovias e em ligações subterrâneas e marítimas, capazes de interligar até mesmo continentes. Os sinais luminosos da fibras óticas transportam dados, voz, filmes, imagens e qualquer tipo de informação.

O grupo de cientistas é liderado pelo professores Younès Messaddeq e Sidney José Lima Ribeiro. Sua equipe é composta por estudiosos de diversas nacionalidades, como o russo Igor Skripacheve, que desenvolve fibras a partir de sulfetos de arsênio e de germânio, alunos bolsistas franceses e pesquisadores brasileiros como Édison Pecoraro. Os estudos investem no aprimoramento de novas bandas para transmissão de dados e de sinais de alta potência.

Melhores soluções

A tecnologia de desenvolvimento de fibras óticas é conhecida em diversos laboratórios brasileiros e internacionais de pesquisa de ponta, que competem entre si para oferecer as melhores soluções. "O desafio dos pesquisadores da Unesp é produzir novos materiais que possam contribuir com a sociedade em diversas aplicações", comenta Messaddeq.

"É crescente a demanda das empresas por fibras óticas que suportem volumes cada vez maiores de transmissão de dados. Elas serão usadas em sistemas como a TV digital de alta-definição, aplicações em telefonia celular e tecnologia da informação", explica.

Messaddeq conta que o campo para pesquisas sobre o tema ainda é bastante fértil. "Quem tiver mais e melhores opções para o uso das fibras, tende a se sair melhor na disputa por mercados. O investimento em tecnologia nacional possibilita baratear produtos e reduzir a demanda pela importação de componentes", expõe.

Outra preocupação permanente do laboratório é a reposição e formação de novos pesquisadores. "Investimos em alunos de graduação e pós-graduação que fazem estágio e cursam disciplinas obrigatórias e optativas nas áreas de química, física e aplicações industriais. O sucesso dos trabalhos também depende deles", finaliza.

Torres de puxamento

As duas torres de puxamento de fibras óticas têm em média dez metros de altura. Segundo Édison Pecoraro, pesquisador pós-doutorado do laboratório, a distância é necessária para que aconteça o resfriamento da fibra, que tem como matéria-prima um pequeno bloco de vidro com características especiais do ponto de vista físico, químico, térmico, mecânicas e ótico.

"O processo se inicia no alto, com o derretimento do material em um forno de raios ultravioleta que vai pingando e afunilando até chegar embaixo, até atingir a espessura desejada, que pode ser até mais fina que um fio de cabelo", explica. "Depois, ele vai sendo enrolado e colocado em bobinas", comenta.

Édison explica que o investimento na pesquisa de fibras óticas possibilita empresas como a Petrobras economizar recursos em processos de dificil execução. "Imagine em uma rede ultramarina, onde os cabos são fixados a cinco mil metros de profundidade, no alto-mar, ser necessário fazer um reparo em uma rede de comunicações, cujo cabo tem 60 centímetros de diâmetro, e só existem quatro navios no mundo capazes de fazer o conserto", relata.

"É preciso retirar o cabo que pesa algumas toneladas com um guindaste até a superfície, serrar o revestimento externo, trocar o ponto defeituoso, fechar novamente e recolocá-lo. Assim, é mais barato substituir estes sistemas eletrônicos por equivalentes óticos, que têm menos peças e custo final, exigem menos manutenção e oferecem maior eficiência", salienta.

Patrocínios

Os projetos de pesquisa têm patrocínio público da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapesp) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Entre os parceiros e clientes privados, estão instituições como Ericcson (Suécia) e Verillon (Estado Unidos).

Rogério Silveira
Da Agência Imprensa Oficial


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