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Estudantes da capital representam
País em desafio científico internacional
Objetivo de competição na Estação Ciência da USP foi lançar
um ovo a dois metros do solo sem quebrar ou trincar a casca
Um grupo de dez alunos da Escola Estadual Professor Paulo Trajano da Silveira Santos, da Freguesia do Ó (capital), representou o País na terceira edição do Desafio Internacional - World Space Week. A competição anual de caráter científico foi organizada pela European Space Agency (ESA) e envolveu em 2004 equipes de oito países. A missão foi lançar um ovo de uma altura de dois metros do solo, direcionar a trajetória para a queda em um local determinado e evitar avarias e trincas na casca.
A Estação Ciência da USP foi o cenário brasileiro da disputa, que foi realizada simultaneamente dia 4 de novembro nos oito países. Os times participantes puderam acompanhar em tempo real por meio de videoconferência o desempenho de estudantes franceses, colombianos, marroquinos, chilenos, espanhóis, canadenses e sérvios.
Assim, do alto de uma escadinha, cada grupo de crianças se organizou, discutiu estratégias e, utilizou os materiais previstos pelo determinados pelo regulamento: quatro folhas de papel branco, 25 canudinhos de plástico, 25 palitos de sorvete, 150 cm de barbante, 150 cm de fita adesiva, cinco elásticos, uma tesoura, um cronômetro e um ovo cru.
Vencedores
Cada time projetou um pára-quedas para retardar a descida, revestiu o ovo com papel e fez um cestinho para a aterrisagem. Ao término dos trabalhos, a comissão julgadora considerou a equipe do Marrocos como a que melhor executou o projeto; a idéia mais original foi a da Sérvia; o melhor tempo de resposta foi da Colômbia; o melhor caderno de experiências foi da França e a equipe mais precisa foi a brasileira. Cada grupo vencedor recebeu um certificado de participação assinado pelo físico francês George Charpak, vencedor do Prêmio Nobel e um dos responsáveis pelo concurso.
A participação brasileira no concurso ocorreu por intermédio do Projeto ABC na Educação Científica - Mão na Massa. Beatriz de Castro Athayde é funcionária da Estação Ciência e uma das profissionais envolvidas com o projeto. "Por meio de experiências com materiais de baixo custo, estimulamos a expressão oral e escrita das crianças no estudo de ciências. Além disso, o professor também é beneficiado, já que muitas vezes ele não tem formação específica em ciências. Os pais também participam do processo e acompanham os alunos quando estes reproduzem em casa as experiências feitas na escola", conta.
Grupo de alunos
Caíque Leite, 10 anos, contou que ele e mais nove colegas foram selecionados pelos professores de um total de 300 alunos. Jéfferson da Silva, também do grupo, conta que na primeira reunião da equipe houve uma divisão de tarefas. "Decidimos juntos o que cada um iria fazer e cada membro ficou com a tarefa que teria mais facilidade para desempenhar. Assim, a Beatriz Silva que tem letra bonita foi escolhida para redigir o relatório de experiências", contou.
"A maior dificuldade foi conseguir utilizar somente a quantidade de fita adesiva e barbante previstas pelo regulamento", explicou. "Além disso, a professora Noemi Alves nos deu uma dica fundamental - revelou que se o ovo caísse com o fundo reto certamente racharia", explicou. Caio Pimentel acrescentou que ela também passou informações importantes sobre como vencer a resistência do ar e qual a melhor posição para o lançamento do ovo - alguns centímetros a mais do que o grupo estava fazendo.
O grupo de professores-orientadores da escola foi coordenado por José Carlos Lima. A equipe foi completada com os docentes Edna Sabino da Silva, Noemi Alves e Wanderleya Nogueira. Ele conta que o saldo final do trabalho foi bastante positivo. "Conseguimos em um mês orientar os estudantes - e a competição integrou os alunos, uniu a escola e todos puderam aprender mais", conta José Carlos.
Mão-na-massa
O projeto ABC na educação científica - Mão-na-massa é uma iniciativa complementar de ensino de ciências para crianças na faixa etária entre cinco e doze anos. Ele aproxima a alfabetização e a educação científica e foi criado em 1996 a partir de uma idéia de dois físicos vencedores do Prêmio Nobel: o norte-americano Leon Ledderman e o francês George Charpak.
No Brasil, contatos entre educadores franceses e brasileiros possibilitaram em julho de 2001 a instalação do projeto com a direção geral do professor aposentado da USP Ernst Hamburguer. Na região metropolitana da capital participam 13 escolas da rede estadual; além delas o Mão-na-massa atende 115 estabelecimentos de ensino municipal na cidade de São Paulo, e também escolas de São Carlos e Ribeirão Preto.
Propostas
O Mão-na-massa estimula as crianças a observar um objeto ou fenômeno científico do mundo real, próximo e perceptível e aprender com ele. Durante a investigação as crianças argumentam, raciocinam e discutem idéias e assim adquirem conhecimento.
As atividades propostas são seqüenciais e permitem a progressão da aprendizagem. Um tema único é desenvolvido durante ao menos duas horas semanais ao longo de várias semanas.E cada criança anota suas experiências e tira dúvidas em grupo.
O objetivo maior é uma apropriação progressiva de conceitos científicos e de aptidões pelos alunos, além da consolidação da expressão escrita e oral. Os parceiros científicos nas universidades acompanham o trabalho escolar e colocam sua competência à disposição. O professor orientador encontra na Internet módulos a executar, idéias para atividades e respostas às suas perguntas.
Rogério Silveira
Da Agência Imprensa Oficial
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