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Sistemas da Polícia Militar atendem
em média 150 mil chamados por dia
Fotografias, imagens aéreas e radiocomunicadores
garantem a efetividade da PM em todas as regiões do Estado
O Sistema de Informações Operacionais da Polícia Militar (SIOPM) é responsável por gerenciar a logística e o fluxo de atendimentos dos números de emergência 190 e 193 nos 645 municípios do Estado. Por dia, a central de operações na capital recebe em média 150 mil chamados, que são encaminhados para as polícias estaduais (militar, civil, rodoviária), bombeiros e Defesa Civil Estadual.
A Central opera em plantão permanente - 24 horas por dia, 365 dias por ano. O contato pode ser feito por meio de telefone, fax, radiocomunicação e Internet. E quando recebe uma ligação, o atendente tem acesso às bases de dados da Prodesp, que hospeda sistemas da pasta da Administração Penitenciária, Polícia Civil, Poder Judiciário e Ministério Público. Além disso, o atendente acompanha o andamento da ocorrência desde a chegada até a finalização.
O SIOPM é um sistema inteligente - cataloga, grava e faz cópia de segurança de todos as informações (backup). E depois faz a apuração e o cruzamento de dados. De modo automático, o sistema lista em uma região quais são os horários e logradouros com mais incidência de notificações, e mostra também o nome de pessoas envolvidas nas ocorrências.
Os relatórios auxiliam a Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP) a planejar questões como a distribuição do efetivo policial (civil, militar, científico, tropa de choque), veículos (helicópteros, viaturas, motos, bicicletas), armamento, canis, cavalaria e organização do policiamento em cada região do Estado.
Segundo o Capitão Alfredo Deak Junior, coordenador do SIOPM, uma das medidas que agiliza o atendimento é a integração do sistema com o cadastro atualizado de assinantes das companhias telefônicas do Estado. A centralização da informação ajuda a coibir trotes. Ao receber uma ligação, o atendente verifica na tela do computador as coordenadas geográficas do chamado (latitude e longitude) e vê também o nome e endereço do dono da linha. E repassa a informação, com a melhor descrição possível do chamado, para a viatura que estiver mais próxima do local da ocorrência.
Disponibilidade permanente
O sistema telefônico é descentralizado no Estado. Município de maior porte tem central própria de comunicação e os menores têm cobertura de uma central regional. O SIOPM monitora o andamento do serviço em todas e foi projetado para operar com disponibilidade permanente em qualquer circunstância. "Se o atendimento for interrompido por blecaute, colapso ou catástrofe de qualquer natureza, o serviço é automaticamente transferido para outra central", explica Deak.
A disponibilidade é garantida por procedimentos como gerador próprio de energia (a diesel), rede dualizada de rádio, comunicação por rádio e fibra óptica com a central telefônica. "O objetivo é normalizar a situação de semáforos, viaturas e ambulâncias evitar saques e crimes no momento de uma emergência de grandes proporções", explica.
Antes da informatização, o contato entre denunciante e polícia demorava em média 30 minutos. "Hoje o tempo médio de atendimento é de um minuto para ocorrência de emergência (crimes contra o patrimônio e integridade física da vítima) e de três minutos para as demais", explica o Capitão Deak.
"No dia-a-dia policial, alguns segundos podem ser decisivos em situações como refém sob a mira de arma, gestante em trabalho de parto ou ainda, cidadão prestes a cometer suicídio. A informação geográfica do local da ocorrência na tela do computador facilita o deslocamento das viaturas na capital. São Paulo tem 400 mil cruzamentos e muitas ruas da periferia não têm registro no mapa", conta o Capitão Deak.
O Capitão Deak conta que a razão do sucesso no atendimento é o treinamento constante. "A PM investe muito na formação de seus profissionais. A cada ano, três mil homens da corporação recebem treinamentos de reciclagem e capacitação. O objetivo é instruir o policial para que ele conheça e utilize com eficiência o aparato tecnológico disponível. E coloque em prática o aprendizado", conta.
Atuação territorial
A PM tem no Estado 470 quartéis e trabalha sempre de modo territorial. O policiamento primário de uma região recebe sempre o complemento de uma companhia ou batalhão vizinho. Assim, sempre há reforço nas adjacências para o policial que está em patrulha nas ruas. São Paulo e as regiões do ABC, Osasco e Guarulhos têm centrais próprias de atendimento. Na capital, 47 atendentes ficam no sistema 190 e mais 40 ficam no contato por rádio com as viaturas.
Todos os sistemas da PM são interligados e foram desenvolvidos internamente. O SIOPM surgiu em 1985, entrou em funcionamento em 1987 e substituiu o antigo sistema de despacho de viaturas que rodava em mainframe. Na época, formulários de ocorrência e planilhas com estatísticas eram preenchidos a mão e os processos eram analógicos.
A área de Tecnologia da Informação (TI) é hoje composta por uma diretoria de telemática, que tem dois centros subordinados, de telecomunicações e sistemas/software. A PM tem 50 policiais dedicados à gestão de TI e terceiriza a contratação de mais 100 profissionais para as áreas de suporte ao usuário e fábrica de software. Os servidores da corporação rodam o Linux, programa de uso livre e há também softwares pagos, como o banco de dados Oracle, utilizado para gerar mapas de ocorrências.
Central de telecomunicações
O Major Davi Rezende de Oliveira comanda a central telefônica na capital e conta que a efetividade no atendimento transformou o número 190 em referência para a população. "Hoje o cidadão pede auxílio policial e faz perguntas que extrapolam a competência da PM. São dúvidas sobre endereços de hospital, creche e posto de saúde e também sobre o fornecimento de serviços como água, transporte e eletricidade. Na prática, damos orientação e atendemos tudo que for possível", explica o Major Davi.
Por dia, a Central recebe 30 mil ligações. Desse total, 20% se transforma em ocorrências que motivam o deslocamento de viaturas. Os horários que mais recebem chamados são as noites de sexta-feira e sábado, em especial as de verão. Nestes dias, as pessoas bebem mais, lotam bares e o álcool acaba por favorecer delitos, como acidentes de trânsito, lesão corporal e homicídio com arma de fogo.
Quando chega uma nova solicitação, em fração de segundo, o sistema verifica qual atendente está a mais tempo sem receber chamada. E lhe repassa automaticamente a ligação. "Um grande inconveniente são os trotes - totalizam 20% das notificações. Na maioria das vezes são crianças porém há também denúncias falsas de comerciantes, com o objetivo de fazer a viatura circular na região de suas lojas", explica Davi.
Números
Os atendimentos da PM no Estado são na casa do milhar. Em fevereiro, foram 52 mil conduções a hospital, sendo 1,3 mil apoios a parto e 31 crianças nasceram dentro da viatura. O Major Davi menciona uma ligação recente que ajudou a salvar a vida de um recém-nascido na capital.
"O bebê estava engasgado e até a chegada do resgate, a atendente transmitiu noções de primeiros socorros para a mãe. Em outra oportunidade, uma avó denunciou a filha por ter abandonado a neta na rua. A policial que recebeu o chamado ficou comovida e foi conhecer a criança. Foi o suficiente para que entrasse com um pedido de adoção no Juizado de Menores. Hoje o bebê é filho da atendente", relembra o Major Davi.
Radiocomunicações
O serviço de radiocomunicação na capital divide a cidade em cinco grandes regiões - centro, norte, sul, leste e oeste e utiliza uma freqüência exclusiva. A localização das viaturas e ocorrências é feita por meio do sistema de posicionamento denominado "GPS virtual", que aponta as coordenadas geográficas (latitude e longitude) de cada uma das 400 mil esquinas de São Paulo.
No rádio, as conversas são feitas por meio do Código Q, protocolo internacional de radiocomunicação. O fluxo das informações é multidirecional e cada operador policial sabe quando pode falar ou deve somente ouvir. A escala de prioridade nos chamados é determinada pela Central. Nos contatos as frases e palavras são abreviadas para acelerar o processo e evitar ruídos e confusões fonéticas provocadas pelas interferências.
"Equilíbrio, concentração e disciplina são fundamentais. Ficar na radiocomunicação exige profundo conhecimento do patrulhamento nas ruas. Quando é preciso, o comando do rádio inflama uma ocorrência, em situações como tiroteio, seqüestro ou atropelamento. O estresse é grande e os supervisores acompanham a cada minuto o andamento de cada ocorrência", conta o Major Davi.
Tratamento preventivo
Para combater o estresse, o Major Davi conta que o treinamento é intenso e há atendimento psicológico permanente para os atendentes.
"Só é selecionado para a função quem tem o perfil. Além disso, cada profissional trabalha uma hora e meia e depois descansa meia hora. O diálogo entre comando e equipe é sempre estimulado para prevenir quaisquer problemas", explica.
A Central faz auditoria interna por amostragem dos chamados todas as semanas. "Este retorno da sociedade norteia toda a estratégia da polícia. É o caminho inverso - atendente retorna ligação para o denunciante e pergunta como foi o serviço. Recebemos muitos elogios porém a queixa mais comum é afirmar que o atendente faz muitas perguntas, só que na verdade ele está colhendo informações que podem evitar abordagens incorretas e facilitar o trabalho do policial que está na rua", salienta o Major Davi.
Experiência de vida
A Soldado Sônia Joana Siqueira é atendente da Central desde 1997, ano em que ingressou na corporação. "Minha satisfação é poder colaborar sempre com o aprimoramento do serviço e poder saber de imediato se alguém conseguir recuperar um bem que tinha sido roubado ou ainda, ver na minha casa pela televisão se a ocorrência solucionada", conta ela.
Fotocrim
A Base Informatizada de Fotografias Criminais (Fotocrim) da PM é um sistema inteligente criado em 1995 com o objetivo de armazenar informações e fotografias de pessoas que já foram indiciadas. A iniciativa pioneira no País ajuda a população a identificar suspeitos e contribui com os órgãos da SSP no mapeamento dos delitos e delimitação da área de atuação dos criminosos em todo território paulista.
O Capitão Ulisses Puosso coordena a equipe de 75 profissionais do Fotocrim que produz o material e possibilita consultas na base de dados que já tem 208 mil registros. Cada formulário eletrônico informa a ficha criminal, apelidos, características pessoais (tatuagem, cicatriz, cor do cabelo, brincos), modo de atuação e conexão do criminoso com quadrilhas. "O sucesso do serviço é fruto do empenho dos policiais em fotografar criminosos detidos logo após o flagrante", explica o Capitão Ulisses.
Uma das estratégias utilizadas pela PM para refinar os dados é confrontá-los com os 123 mil registros da Secretaria Estadual da Administração Penitenciária. A medida reforça a veracidade dos cadastros, já que muitas vezes o delinqüente passa informações erradas, ou ainda, tenta assumir uma identidade falsa no distrito policial. Se for condenado e tiver pena para cumprir em presídio, ele acaba por fornecer seus dados corretos, para informar sua família de sua localização, caso algo que venha a lhe acontecer na prisão.
O reconhecimento de suspeitos na tela do computador ajuda a diminuir a chance de detenção de um cidadão inocente. E aumenta as chances de captura de procurados pela Justiça, que centralizará as buscas na sua região de domicílio e de atuação. O Fotocrim já tem registro no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) e está disponível em toda a rede interna da SSP (intranet). No futuro, a intenção é incluir um computador de bordo em todas as viaturas e assim conseguir otimizar o trabalho policial.
"Antes da informatização, tínhamos 70 mil fichas em papel, fotos de diferentes tamanhos e recortes de jornal, com o rosto de indiciados. O Fotocrim padronizou os registros e traz álbuns com fotos frontais, laterais e de perfil dos criminosos. Só que antes da inclusão de uma nova ficha no sistema, a equipe realiza uma minuciosa auditoria com o boletim de ocorrência, para não cometer injustiças", explica.
Em agosto de 2003, na zona oeste da capital, a vítima do estuprador Vandeli Fernandes o reconheceu e ele foi preso. Em janeiro de 2005, o assaltante Carlos Henrique dos Santos ("Rick") roubou uma casa de veraneio em Ubatuba e depois do reconhecimento fotográfico, foi produzido um impresso que foi distribuído em todas as viaturas policiais. O trabalho rápido permitiu a detenção dele e de mais dois comparsas em um quarto de uma pousada distante três quilômetros do local do roubo.
"Assim como a informatização, o crime evolui. O Estado de São Paulo é referência no País em inteligência policial e tem conseguido levar vantagem sobre os criminosos. E a missão da PM é antecipar tendências e estar sempre de prontidão para atender ao cidadão", finaliza o Capitão Ulisses.
Copom on-line: monitoramento em tempo real de ocorrências
O Capitão Gerson Rosseto Baeto é o coordenador do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom on-line), ferramenta de mapas desenvolvida internamente na PM que permite o acompanhamento em tempo real de todas as ocorrências em andamento no Estado (atendimento e finalização). O sistema informa também os locais de maior e menor incidência de crimes com base nas 35 mil ligações diárias recebidas nas 98 companhias da PM na capital e região metropolitana.
O Copom on-line informa o tipo de ocorrência, qual viatura está no local, o local da ocorrência, envolvidos e quais policiais estão mobilizados no serviço. Além disso, o usuário pode definir em que intervalo de tempo deseja atualizar os mapas. Os acessos são feitos por meio de senha na Intranet da SSP e os administradores conseguem sempre saber quem está consultando e em que horário esteve registrado.
Depois de encerrada a ligação telefônica, o sistema demora de 30 a 50 segundos para incluir no Copom on-line a ocorrência. E o sistema tem dispositivos que permitem ao usuário imprimir, delimitar áreas específicas e dar um "zoom" nas imagens de satélite e aéreas. Permite também a emissão de relatórios com a lista de ocorrências da última hora e mostra as áreas mais críticas para o policiamento.
O mapa gerado pelo sistema mostra o local de todas as ocorrências e aponta o nível de prioridade de todas. Em uma emergência, o comandante dá uma ordem por rádio e redistribui o efetivo policial na área. "Tão logo seja restabelecida a normalidade, o serviço volta para o status anterior em policiais e equipamentos, que também é previsto pelo sistema", informa o Capitão Gérson.
A indicação geográfica de ocorrências é um serviço pioneiro no País e já atende mais de 50% da população do Estado. Inclui a capital, ABC, Santos, São Vicente, Campinas, Ribeirão Preto, Sorocaba, Bauru, Araçatuba e São José do Rio Preto. A intenção da PM é estender a abrangência do serviço para todo o território paulista e até o final do ano ele estará disponível nas regiões de Mogi das Cruzes, Jundiaí, Bragança Paulista, litoral e Vale do Paraíba.
Rogério Silveira
Da Agência Imprensa Oficial
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