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O maior grupo de profissionais da
Imprensa Oficial do Estado de São Paulo
Com dedicação e amor ao trabalho, equipe da
gráfica dá o toque final nos impressos da empresa
A gráfica é o setor da Imprensa Oficial (IO) com o maior número de profissionais empregados. São 125, divididos 75 na impressão offset, (15 operadores e 60 ajudantes) e 50 no acabamento (20 assistentes, 16 operadores e 14 ajudantes). As linhas seguintes contam um pouco da história e do dia-a-dia de quatro gráficos: o mais antigo é José Batista, com 27 anos de empresa; a caçula é Roberta, ajudante prestes a completar um ano de serviço; e os dois últimos são Osvaldo e Rosalina, portadores de deficiência integrados à empresa desde 1981.
Nos quatro relatos, traços comuns como a gratidão e o orgulho por integrarem uma instituição pública exemplar. Como uma grande família, a IO foi e continua sendo um agente de transformação na vida de cada um. Para eles, valores como respeito, ética e solidariedade foram impressos na alma de todos. E o compromisso individual é manter estas virtudes, a herança para as próximas gerações.
José Batista da Silva ingressou na IO em 1978 como operador de guilhotina, função que desempenha até hoje. Do início, recorda condições de trabalho difíceis, com ruído, calor, esguichos de tinta das máquinas e tarefas braçais. E aponta períodos de ruptura como 1995, ano de muitas substituições de comando e também de épocas de intenso trabalho, quando a empresa rodava parte de loterias como a Loto que obrigava cada gráfico a fazer em média 110 horas extra por mês.
"Antes de ser efetivado, durante quatro meses fiz testes médicos e técnicos, para a empresa avaliar minha resistência às condições de trabalho. Hoje, a fábrica inteira é iluminada, a maioria dos ambientes tem ar-condicionado, nenhum profissional é analfabeto e deixa de usar uniforme e seguir regras de segurança", afirma. José Batista aponta também mudanças no perfil do profissional destacado para o setor. Hoje há menos tarefas manuais e o gráfico controla muitas máquinas com teclado e mouse.
"Exercer a profissão requer cada vez mais anos de estudo. E mesmo com 27 anos de empresa, aprendo novidades todos os dias. O setor é muito dinâmico, a informatização mudou tudo", explica. No início, cada profissional desempenhava uma única função. E não estava apto a fazer tarefas simples, ligadas diretamente ao seu trabalho. A saída encontrada pela empresa foi investir continuadamente na ampliação do nível cultural e educacional de gráfico.
Assim, os cursos de capacitação e reciclagem se tornaram periódicos - a IO criou turmas exclusivas de ensino médio. "Depois de ter abandonado os estudos na juventude, consegui há seis anos concluir o segundo grau pela IO. Quem já tinha este diploma, pôde cursar faculdade com 80% do valor das mensalidades pagas pela empresa. Assim, vi muitos profissionais terem concluído, com o apoio da empresa, um projeto de vida, que de outra forma seria impossível", comenta.
Na opinião de Batista, o investimento em educação deve ser mantido e ampliado. Mais instruído, o profissional produz mais e tem mais auto-estima. "A empresa também ganha. Cada líder agora dispõe de profissionais na gráfica aptos a assumir diversas funções e o remanejamento interno de funções é estimulado", explica.
Crianças no CCI
No ano 2000, o gráfico Jaime Almeida incentivou Roberta Oliveira, sua esposa, a participar de um concurso admissional na IO. Quatro anos depois, ela foi chamada pelo RH. Hoje, prestes a completar um ano na empresa, a ajudante de 24 anos já passou por todas as áreas do acabamento e conhece todos colegas da gráfica. "Antes mesmo de ingressar na IO, minhas duas filhas já estavam no CCI. Agora estou grávida novamente e quando meu bebê nascer, ficará junto com as irmãs", prevê.
Disposta a aprender e sempre com um sorriso nos lábios, Roberta pede para seu superior a doação de exemplares excedentes. Ela é estudante do ensino médio e já ganhou livros de química, física e história. Mas segundo ela, os melhores presentes foram o Estatuto do Idoso, impresso junto com o da Criança e do Adolescente e um folheto com informações sobre a prevenção do câncer de mama e de útero.
Roberta conta também que o livro que mais atraiu seus colegas foi "Catedral da Sé", pela beleza das imagens.
Inclusão social
A inclusão social do portador de deficiência já era uma preocupação da IO no início da década de 80. Assim, em 1981 a IO recebeu e capacitou os primeiros grupos de trabalhadores portadores de todos os tipos de deficiência, provenientes do Centro de Reabilitação Vergueiro. A ajudante Rosalina Maria dos Santos é deficiente visual e assim como sua irmã, fez parte da turma inicial. Um mês depois, ganhou a companhia de Osvaldo Dobilas, operador de guilhotina e deficiente auditivo.
O entrosamento é o maior fator de integração, como em uma grande família. Se alguém erra, os colegas ao redor se reúnem para ajudar. E os deficientes visuais têm sempre braços estendidos, como os de Osvaldo, para guiá-los dentro da empresa para o refeitório e as mesas de montagem. Segundo Rosalina, este apoio recebido desde o início foi fundamental.
"No início éramos vistos com um pouco de desconfiança sobre nossa capacidade. Outros tinham compaixão excessiva e desnecessária. Mas aos poucos, fomos nos integrando e hoje ninguém mais questiona a competência do profissional portador de deficiência", comenta.
Hoje Rosalina realiza todas as tarefas que os demais ajudantes, exceto operar máquinas. E sua maior dificuldade é também motivo de grande satisfação: a montagem na ordem correta dos pacotes e a intercalação progressiva de um livro para dar continuidade à linha de produção.
Osvaldo Dobilas, deficiente auditivo, ingressou na IO um mês depois de Rosalina. Como ela, adora sua profissão e atende Ordens de Serviço (OS) internas de todas as áreas da gráfica. Quando tem alguma dúvida, escreve bilhetes ou mesmo, conta com a ajuda do amigo Batista. Sua integração também é completa.
"Fiz aqui amigos, criei meu casal de filhos, jogo futebol e sinto falta da época que tínhamos uma sala para jogar dominó, pebolim e snooker", "diz" o profissional, sempre sorridente e solícito. Desde que ingressou, Osvaldo já ganhou mais de dez livros e seu preferido é o dicionário da Língua de Sinais Brasileira, publicação de referência que utiliza para aperfeiçoar sua comunicação.
Paulinho, o chefe de todos
A gráfica é dirigida por Paulo Benedito Fernandes, o Paulinho, gráfico com 29 anos de IO e desde 1995, chefe de divisão. Ele ingressou na IO como impressor de máquina offset plana. Ao longo dos anos, acompanhou todas as mudanças na gráfica e se especializou com mais de 100 cursos na área.
A receita do sucesso, na opinião dele é gostar da profissão e querer sempre evoluir. "É um trabalho de equipe, meticuloso e de muito capricho. Felizmente este é o perfil dos meus funcionários, que me chamam de você e vivem na minha sala trocando impressões", explica. Os longos anos de casa trouxeram macetes para Paulinho e seu pessoal. Um deles é acompanhar pelo barulho e ritmo de funcionamento das rotativas a qualidade do trabalho impresso, mesmo com os ouvidos protegidos pelo protetor auricular.
"Ruídos estranhos podem indicar excesso ou falta de água, ou outros problemas", ensina. O gestual dos colegas também é referência. Uma batida do dedo no dente, significa ser preciso aumentar um "dente" de tinta no sistema de impressão e ele explica que para um incremento mínimo, o profissional bate com a mão na cabeça e toca o cabelo.
Paulinho gosta de comparar técnicas antigas, com as atuais como o densitômetro. Este dispositivo indica o porcentual de cores azul, vermelho, amarelo e preto (escala CMYK) nos impressos. E compara os pontos de impressão do filme que está sendo rodado com o pedido original. "Antigamente era o conhecimento do gráfico sobre o equipamento que prevalecia", explica.
"E o densitômetro foi muito útil para rodar o trabalho mais complexo passado pela gráfica até hoje - o livro "A Plumária Indígena Brasileira", que tinha milhares de nuances e tonalidades da mesmo cor nas imagens", recorda.
Rogério Silveira
Da Agência Imprensa Oficial
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