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USP debate os desafios para ampliar a
produção dos biocombustíveis no Brasil

Na pauta de discussões, o emprego de novas tecnologias
e os impactos ambientais, sociais e econômicos da atividade

Cartaz da Conferência Nacional de Bionergia

A Universidade de São Paulo realizou entre os dias 26 e 28 de setembro, no Hotel Maksoud Plaza, na capital, a Conferência Nacional de Bioenergia (Bioconfe). No primeiro dia de debates, foram analisadas questões como os desafios para ampliar a produção dos biocombustíveis (etanol, biodiesel e energia elétrica) no Brasil e o impacto econômico, ambiental e social da atividade.

Patrocinado pela Petrobras, o evento reuniu os principais especialistas brasileiros em bioenergia. Integraram a platéia de 200 pessoas cientistas, empresários, representantes do poder estadual e federal e de agências de estímulo à pesquisa.

O secretário estadual do Ensino Superior, Carlos Vogt, representou o governador José Serra na Bioconfe. O ex-reitor da Unicamp iniciou as discussões caracterizando a bioenergia como tema estratégico para o País. Na oportunidade, conclamou o empresariado brasileiro a investir mais na pesquisa tecnológica, pois "é o caminho ideal para apoiar a ciência e gerar riquezas para a sociedade".

Vantagens competitivas

Conferência Nacional de Bioenergia reuniu especialistas brasileiros no assunto - crédito foto: Francisco Emolo/Jornal da USP

A reitora da USP, Suely Vilela, destacou o cenário favorável para o Brasil no mercado energético internacional. "O País é auto-suficiente em petróleo e líder mundial na produção de biodiesel. Baseada na cana, a indústria sucroalcooleira nacional representa o maior programa mundial de exploração da biomassa. O desafio é encontrar caminhos para ampliar a eficiência e manter as atuais vantagens competitivas nas fontes renováveis", destacou.

A conferência inaugural foi proferida pelo professor José Goldemberg, coordenador da Comissão Especial de Bioenergia do Estado. O ex-reitor da USP contou que no mês de outubro será entregue ao governador o relatório final sobre o trabalho desenvolvido pelos 14 grupos de trabalhos da comissão presidida por ele.

A comissão, de caráter multidisciplinar, foi constituída em abril. Reúne secretários de Estado, Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado (Fapesp) e representantes das universidades públicas paulistas, com uma missão comum: propor políticas capazes de permitir a expansão do uso da bioenergia sem provocar impactos ambientais e sociais indesejáveis.

Pioneirismo

Goldemberg: etanol compete com a gasolina - crédito foto: Francisco Emolo/Jornal da USP

Sobre o cenário atual, o professor Goldemberg sublinhou a saturação do sistema energético mundial, baseado na utilização de combustíveis minerais (petróleo, gás natural e carvão mineral), que tendem progressivamente à escassez . "Há exaustão das reservas, impactos ambientais e instabilidade com relação ao abastecimento", afirmou.

José Goldemberg citou o pioneirismo brasileiro com o Proalcool - iniciativa federal de 1975 destinada a reduzir a importação de petróleo no País. Explicou que atualmente o etanol compete e complementa a gasolina no território nacional. "Hoje, em cada litro de gasolina vendida nos postos cerca de 20% a 26% da composição é de álcool", observou.

"Para produzir um litro de etanol no Brasil ainda é preciso consumir 10% de combustível fóssil. O porcentual é dividido entre o fertilizante utilizado no solo e o diesel queimado pelos caminhões para o transporte. Os 90% restantes de energia da cana são provenientes da luz", explica.

Fronteira tecnológica

"De toda energia extraída da cana, o bagaço representa 34,71%. É composto por 47% de celulose e no processo atual este polímero é só parcialmente fermentado. A hidrólise é uma tecnologia em desenvolvimento que poderá aumentar a eficiência no processo a partir do reaproveitamento do bagaço numa nova fermentação. Poderá, assim, ser possível ampliar a produtividade sem aumentar a área de plantio", explica.

Sobre o biodiesel, o professor Goldemberg reconheceu que ainda custa o dobro do convencional, derivado do petróleo. "São Paulo concentra grande parte do abate bovino do País. Uma das possibilidades para viabilizar o aumento da produção do biodiesel no Estado é usar o sebo do gado como matéria-prima", sugeriu.

Queima do bagaço de cana

Negri: aposta na queima do bagaço de cana - crédito foto: Cecília Bastos/Jornal da USP

No painel da tarde, Jean Cesare Negri, coordenador de energia da Secretaria Estadual de Energia e Saneamento, afirmou que a grande vocação brasileira para a geração de energia continua sendo a hidrelétrica. No entanto, a secretaria aposta na co-geração de eletricidade a partir da queima do bagaço de cana excedente nas usinas como modelo complementar.

Segundo dados da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), na safra 2006/2007, os 4,25 milhões de hectares plantados no Estado produziram 264 milhões de toneladas de cana, 11 bilhões de litros de etanol e 20 milhões de toneladas de açúcar.

"Hoje, a capacidade média atual de co-geração é de 900 a 1,2 mil megawatts de eletricidade. Porém, com o emprego de novas tecnologias, será possível na safra 2012/2013 obtermos entre 1,8 mil a 2,2 mil megawatts. E se nessa data também for possível reaproveitar a palha, os números podem até dobrar", finalizou Negri.

Oferta de energia no Estado de SP em 2005
(Fonte: Balanço Energético do Estado de SP, 2006)

Petróleo e derivados 40%
Cana-de-açúcar 30%
Hidráulica 17%
Gás natural 6%
Carvão e derivados 3%
Lenha e carvão vegetal 2%
Outras fontes renováveis 2%

SP – Evolução do consumo final energético por fonte (%)
(Fonte: faostat.fao.org)

Energéticos 1970 1980 1990 2005
Derivados de petróleo 66 61 45 39
Biomassa 19 16 21 23
Eletricidade 11 15 20 21
Álcool etílico 0 2 7 4
Gás natural 0 0 1 8
Outros 4 6 6 5

SP – Evolução do consumo final energético por fonte (%)
(Fonte: Beesp – 2006)

País Área colhida em 2004 (1000 ha)
1 Brasil 5.632
2 Índia 4.004
3 Tailândia 1.112
4 Paquistão 1.075
5 Cuba 661
6 México 640
7 Austrália 448
8 Colômbia 429
9 África do Sul 425
10 Indonésia 420


Rogério Silveira
Da Agência Imprensa Oficial
Crédito fotos: Francisco Emolo e Cecília Bastos - Jornal da USP


Reportagem publicada originalmente na página III do Poder Executivo do Diário Oficial do Estado de SP do dia 03/10/2007.

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ROGÉRIO MASCIA SILVEIRA - Jornalista e Webdesigner - Mtb 25.027
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