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"Um excelente antídoto
para combater a violência"
São Carlos viverá momentos inesquecíveis: oficinas, cursos,
palestra do maestro John Neschling e concerto da Osesp completa
São Carlos ganhou a disputa com Araraquara para receber o corpo completo da Osesp. O anúncio da vinda dos grupos da capital para a chamada "Cidade Sorriso" animou os são-carlenses que nunca viram apresentações da Osesp e mais ainda os que já a conhecem.
A empresária Yvonne Mascarenhas é uma delas. Fã declarada da orquestra, ela já assistiu a dez concertos do grupo e, embora se encante cada vez mais, ainda guarda na memória a primeira audição, em 2004, na Sala São Paulo: "Foi a mais emocionante de todas", conta.
Seu primeiro contato com a música erudita foi ainda na infância, em uma visita à Fazenda Monte Alegre, propriedade rural de amigos da família. Encantou-se com os sons emitidos por um órgão de 2,5 mil tubos. "Ter ouvido uma ex-organista do Vaticano tocar mudou a minha vida. Foi paixão instantânea", recorda.
Francisco Belda, jornalista, professor e doutorando em engenharia da USP São Carlos, também está entre os que aplaudem a iniciativa da Osesp Itinerante.
Ele apóia os eventos culturais e manifestações artísticas de diversos gêneros que se realizam na cidade, e tenta despertar em seus alunos o gosto pela cultura e pelas artes. E, convencido que essas manifestações "são um excelente antídoto para combater a violência", reclama mais apoio governamental e espaço para expressões das populações da periferia, como o samba e o rap.
Sesc, parceiro
Vilma de Marchi, coordenadora de programação do Sesc São Carlos, destaca que a vinda da Osesp é um dos principais eventos da grade de 2008. Na opinião dela, o evento itinerante ajuda a formar novas platéias e a revelar novos talentos para a música.
O Sesc é co-realizador da Osesp Itinerante e tem seus objetivos alinhados com os da Secretaria Estadual da Cultura, no sentido de democratizar o acesso às artes e espetáculos e em especial à música clássica.
"Costumo assistir a alguns dos shows e estou na maior expectativa, porque ainda nunca vi nenhuma apresentação da Osesp em São Carlos. Assim como eu, o público de todas as cidades paulistas contempladas poderá assistir, sem pagar nada, às apresentações da melhor orquestra da América Latina. É um privilégio", comemora.
Música em todos os sentidos
O maestro Roberto Mori, 46 anos, que os são-carlenses conhecem por Robertinho, respira a música por todos os poros e há 33 anos percorre as ruas de São Carlos com suas fanfarras e bandas. Popular na cidade, ocupa-se atualmente do seu segundo mandato como vereador e acha tempo para se dedicar aos cinco grupos musicais que ele mesmo criou.
Pais e avós não tinham tendências musicais, mas, aos 4 anos, Robertinho batia as tampas das panelas da mãe. Aos 12, tocava na banda escolar e regia uma minifanfarra familiar, com os quatro irmãos mais velhos tirando sons de instrumentos improvisados e dando voltas no quarteirão da casa da família na Vila Prado.
Com 16 anos, coordenava uma fanfarra e estudava instrumentos de sopro e de percussão. Os pais desistiram de tentar levar o menino para qualquer outra profissão e, quatro anos depois, ele concluía sua formação em trompete no Conservatório de Tatuí, na época dirigido pelo maestro Hans Koellreutter, imigrante alemão radicado no Brasil na década 30, falecido em 2005 e um dos pioneiros da música dodecafônica no País.
A teoria aprendida por Robertinho durante a semana em Tatuí era posta em prática em apresentações em bares e bailes nos finais de semana em São Carlos. A renda obtida com o trompete e o pandeiro custeava seu estudo, porém não era suficiente para manter os dois grupos musicais que ele já havia na Vila Prado: uma escola de samba e uma banda marcial.
Caminhão do Baú
Procurou o prefeito de São Carlos em busca de ajuda para seus dois grupos musicais. Não foi atendido. Os dois projetos acabaram sendo interrompidos, mas Robertinho não desistiu. Organizou uma fanfarra na cidade vizinha de Ibitinga e dedicou-se com afinco nos ensaios e concertos. A recompensa veio na forma de um convite para recepcionar, numa manhã de domingo em São Carlos, a chegada do Caminhão do Baú, uma espécie de loteria com eletrodomésticos promovida pelo empresário Sílvio Santos.
Naquela tarde, de 1985, enquanto os sorteados carregavam seus prêmios, Robertinho recebia um presente infinitamente superior a todas as bugigangas deixadas pelo Caminhão do Baú: foi convidado para coordenar uma banda marcial formada por funcionários de uma multinacional instalada em São Carlos.
Contratado como regente, em pouco tempo, formou seu grupo, e incorporou a ele também os filhos dos empregados. Hoje a banda possui 90 componentes, divididos em alas de frente, e de instrumentos de metais e de percussão.
Robertinho conta que nas apresentações da banda a identificação do público com as canções é imediata. "A música é uma linguagem universal, atinge pessoas de todas as faixas etárias e níveis culturais. E tem o poder de expressar e transmitir com graça e beleza todos os sentimentos humanos".
Atrás dos sonhos
Hoje, além disso, o maestro mantém a Fanfarra da Apae, num trabalho voluntário desenvolvido com portadores de deficiência e também bandas nos colégios Cecília Meirelles e Madre Cabrini. Em 2001, regravou e distribuiu nas escolas da cidade um CD com o Hino de São Carlos, composto pelo maestro Heitor de Carvalho, em 1980, com letra de Vicente Keppe.
Usando a tribuna da Câmara Municipal, conseguiu a criação, em 2003, da Escola Livre de Música Maestro João Sepe, que serviria de base para a realização de seu outro sonho: reunir e formar músicos na cidade para compor a Orquestra e a Banda Sinfônica Municipal.
"Parte do sonho foi realizado. Hoje 230 alunos freqüentam os cursos de viola, violino, violoncelo, contrabaixo, clarinete, saxofone, flauta transversal, trompete, trombone, bombardino, tuba, técnica vocal e musicalização infantil", comemora Robertinho.
"E todos pretendem participar de todas as atividades da Osesp em São Carlos, um evento excepcional", adianta, com a mesma alegria com que conduz os músicos de suas fanfarras.
PROGRAMAÇÃO
15 de julho - terça-feira
Sesc São Carlos
Avenida Comendador Alfredo Maffei, 700
9 horas - Curso de Apreciação Musical - Módulo 1
14 horas - Oficina de Metais
20h30 - Concerto do Grupo de Metais
16 de julho - quarta-feira
Sesc São Carlos
9 horas - Curso de Apreciação Musical - Módulo 2
10 horas - Oficina de Cordas
14 horas - Oficina de Madeiras
20h30 - Concerto do Quinteto de Sopros
Igreja de São Sebastião
Avenida Doutor Carlos Botelho, 2371 - Centro
14 horas - Concerto do Coro de Câmara
16 horas - Concerto do Quarteto de Cordas
17 de julho - quinta-feira
Sesc São Carlos
9 horas - Curso de Apreciação Musical - Módulo 3
15 horas - Palestra com o maestro John Neschling
Ufscar
Praça da Bandeira
19 horas - Concerto da Osesp
Rogério Silveira
Da Agência Imprensa Oficial
Reportagem publicada originalmente no trecho compreendido entre as páginas 44 e 47 da revista Cadernos de Cidadania da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo de julho de 2008.
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