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Sylvio Mascia, um cidadão
com Araraquara até no DNA
Câmara municipal cria Avenida Sylvio Mascia
A Câmara Municipal de Araraquara instituiu em outubro de 2007 a Avenida Sylvio Mascia. A nova via da cidade é paralela à Rodovia Washington Luiz e fica no 6º Distrito Industrial. Passa em frente ao Posto Pau Seco, na altura do quilômetro 277 da SP-310. Mas afinal, quem foi este homem? Por que razão os municípes da Morada do Sol decidiram homenageá-lo?
Sylvio Mascia nasceu em 30 de setembro de 1914. Em seus 89 anos de vida sempre morou em Araraquara, sua terra natal e também a cidade escolhida por seus pais, imigrantes italianos, para viver e constituir família. Foi o segundo filho do casal João Mascia, proveniente da região de Salerno e Maria Pirolla, de Bolonha.
Seus pais tiveram seis filhos. O primogênito foi Affonso (barbeiro) e depois vieram Sylvio (empresário), Mário (protético), Paulo (renomado artista plástico), Lúcia (professora de piano) e João (barbeiro). Todos também sempre viveram em Araraquara.
Em 1944, Sylvio casou-se com Nereide Magnani e tiveram cinco filhos: Sylvia, Adílson, Luiz, Luiza e Suely. Ao longo de sua vida, Sylvio foi comerciante e empresário e viveu grande parte da vida em uma gostosa casa na Rua Voluntários da Pátria, 1555, também conhecida como Rua 5. A propriedade ficava em frente ao portão do Colégio Progresso, em uma rua tombada pelo patrimônio histórico municipal e repleta de oitis centenários.
No final da década de 80, a grande casa da Rua 5 foi vendida e demolida. No terreno foi erguido um edifício residencial. E o filho de imigrantes italianos passou seus últimos anos de vida em uma casa de esquina localizada na Rua Professora Maria Villaça Côrrea Leite, 175, no bairro Santa Angelina.
Embora tivesse concluído somente o ensino médio,
Sylvio possuía visão empreendedora e vocação para ser um businessman. Iniciou a vida empresarial comprando e revendendo sacas de café. Na época, a atividade cafeeira já estava em declínio, motivada pela quebra da bolsa de valores novaiorquina em 1929. Contudo, Sylvio prosperou com o Café Santo Antônio. Este negócio começou em 1944 e dispunha de fornos para torrar os grãos (torrefação).
Nos anos seguintes, foi sócio do cunhado Ivo Magnani, irmão de sua esposa no Rodoviário Morada do Sol. Criou sozinho a Morada do Sol Publicidade (1966), a Agroferro Acessórios Agrícolas (1969) e o Café Irca (1972). Depois associou-se ao Café Pelé (1975) e fundou a Impacto (1978). No final da década de 70, todos seus negócios terminaram.
Sylvio jamais teve inimigos. A alegria contagiante e a generosidade eram suas principais características. Vivia rodeado de amigos. Os mais próximos eram Antônio Pereira Lima, os irmãos Bruno e Mário Óppice, Augusto e Antônio Felipe, Guaglianone e João Batista de Oliveira.
Com Antônio Pereira Lima, outro apaixonado pelo futebol, fundou a Associação Desportiva Araraquara (ADA). Seu entusiasmo pelo esporte era tamanho que chegou a leiloar um veículo novo de sua propriedade para o clube. Pereira Lima, seu melhor amigo, fundou o América Futebol Clube, de São José do Rio Preto e a Associação Ferroviária de Esportes (AFE).
Embora fosse palmeirense, a Ferroviária sempre foi sua maior paixão. Foi conselheiro da principal agremiação da Morada do Sol e sempre teve cadeira cativa na Fonte Luminosa. Aliás, nunca perdeu um jogo da equipe grená. A Ferrinha revelou inúmeros talentos do futebol brasileiro e mundial.
Entretanto, uma das maiores contribuições de Sylvio para a região de Araraquara foi a fundação do Clube Náutico Araraquara, em 1963. Sócio-proprietário da agremiação, sempre integrou o Conselho de Administração e exibia com orgulho a carteirinha com o título de número 3. Era antecedido na contagem do quadro associativo somente pelo cunhado Ivo Magnani, o número 2, e por Armando Paschoal, o primeiro sócio do Náutico.
Em seus últimos anos de vida e lucidez, teve a infelicidade de participar do enterro de diversos amigos. Precisou assim abandonar seu hábito preferido: passar as tardes no centro da cidade conversando com amigos e populares. Sua última grande alegria, nos anos finais, era ir todos os dias à Chácara do Tom, um de seus três genros.
A pequena propriedade rural fica localizada nas margens da Rodovia Washington Luiz (SP-310), em uma das saídas de Araraquara para Matão. Na Chácara, Sylvio nadava todas as tardes, assistia animadas peladas (de futebol) nas quartas e sábados e acompanhava, nos demais dias, as atividades de criação e abate de frangos e de suínos.
Morreu em 29 de agosto de 2004, de falência múltipla de órgãos, já em avançado estágio da doença de Alzheimer, um mês antes de completar seu 90º aniversário. Além da viúva, deixou 15 netos, pela ordem dos nascimentos: Gustavo, Rogério, André, Karina, Andréia, Natália, Marina, Giovana, Luciana, Isabela, Elvio, Fábio, Gabriel, Lúcio e Enzo. E também cinco bisnetos: Beatriz , Rafael, Rodrigo, Vitória e Shawn Patrick.
Sylvio Mascia, um grande araraquarense, sempre foi um exemplo de correção e cordialidade. Que saudades!
Nascimento: 30/09/1919
Morte: 29/08/2004
Rogério Silveira, segundo neto e fã eterno.
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